Guerra, honra e ciências sociais






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GUERRA, HONRA E CIÊNCIAS SOCIAIS
por João Bettencourt da Câmara*



1.

Heraclito, o Obscuro, escreveu (com toda a claridade) que “a guerra é o pai de todas as coisas, rei de todas as coisas”1, que a uns faz deuses e a outros, homens; a alguns, escravos e a outros, livres. E assim honrou o bom juízo de Diógenes Laércio: “Por vezes, nos seus escritos, expressa-se com grande brilho e clareza; de modo que até o mais estúpido dos homens pode facilmente entendê-lo, e dele receber uma elevação da alma. E a sua concisão, e a dignidade do seu estilo são incomparáveis.”2

Todavia, tudo se passa como se O Taciturno tivesse aqui usado o seu estilo habitual que, segundo dizia, “não exprime nem esconde o pensamento, mas indica-o”3 – o que faz irresistivelmente lembrar que “o verdadeiro se indica a si próprio e ao falso”, no dizer de Spinoza, “mercador português” e outro grande proponente de um Uno que poderia não ser, necessariamente, Deus4.
_____________________________

* Professor, e Director do Centro de Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa.
Será possível determinar-se com exactidão o que quereria o Melancólico “indicar” com aquilo que tão bem exprime e mostra, no famoso aforismo sobre a guerra? Pergunta que só vale porque até os mais inteligentes dos homens tendem a ver – tal a força da reputação e do muito imaginar! – sombras e dúvidas, nos mais apolíneos pronunciamentos do Obscuro.
A primeira interpretação e a mais óbvia foi subscrita, entre muitos outros, por Morgenstern, um dos pais da Teoria dos Jogos: “Que ‘a guerra é o pai de todas as coisas’ tornou-se de novo verdade num sentido singularmente pervertido: os preparativos para a guerra são necessários para justificar o mais fundo desejo humano de conhecimento. A sociedade não apoia a investigação nem experiências imensamente dispendiosas com outro fundamento. A sociedade não aceita o desejo de conhecimento como legítimo, a menos que esteja ligado com a guerra.”5 Esta visão das relações entre conhecimento e guerra, se é amarga, é também excessiva e quase caricatural, embora herdeira remota de von Clausewitz6 e (mais próxima, se bem que noutro registo) das atitudes dos darwinistas sociais do século XIX, como Gumplowicz7, Ratzenhofer8, ou von Treitschke9, para quem a guerra era madre de múltiplas virtudes e, até, um bem ou necessidade social, estimulando a coesão e evitando a degenerescência, a mediocridade, e o baixo materialismo; neste sentido, como queria Renan, a guerra seria “uma das condições do progresso, a chicotada que evita que um país adormeça” ou como escrevia o Marechal de Campo von Moltke ao seu amigo Bluntschli, em 1880, “(…) uma parte necessária da ordenação dada por Deus ao mundo o qual sem a guerra (…) resvalaria dissolutamente para o materialismo.” 10 Não é porém difícil entender-se a posição destes autores ou a de Morgenstern, nos contextos em que escreviam, nem se pretende aqui sugerir que os seus excessos não tenham parte de verdade.
Por exemplo, é fora de dúvida que, tecnicamente, o mais sofisticado avião civil não passa de um meio de transporte antiquado, quase obsoleto, se o compararmos com o mais sofisticado avião militar – e que, se este não existisse assim, muito mais primitivo seria aquele e por longo tempo; e é igualmente inegável que muitas tecnologias de uso doméstico, pessoal e corrente (desde o frigorífico, ao relógio de pulso em série, e à Internet, por exemplo) devem a sua concepção original a necessidades e objectivos definidos em sede militar. Ou seja, foi de facto na investigação e experimentação ligadas à guerra que muitos dos progressos científicos e tecnológicos de que hoje beneficiamos tiveram origem ou se aperfeiçoaram, difundindo-se depois pela “sociedade civil”. E (a favor de Morgenstern) é também provável que o mesmo continue a observar-se no futuro, tal como se verificou com o passado documentável mais remoto que, ele mesmo, só ficou nos anais, em boa parte, enquanto passado de guerra e de furor.
2.
Com efeito, pode dizer-se que o próprio registo escrito do passado europeu (e não só europeu), nos seus inícios, começou por ser a documentação de actividades agonísticas e guerreiras11. “Como lembra Trindade Santos, citado por Gomes Filipe, a primeira palavra da literatura ocidental é a cólera com que abre a Ilíada do divino Homero”12 e as epopeias homéricas é de guerras e conflitos que partem e se alimentam. As investigações de Heródoto (c. 484-425 a. C.), o Pai da História, começam com uma guerra – a das conquistas de Creso, na Ásia Menor – e terminam noutra, contra os Persas13. E não faltam aí escritores guerreiros, que vão da história à poesia, de Tucídides a Xenofonte, de Xenofonte a Ésquilo, de Ésquilo a Políbio, ficando pelo meio – para não falar do depois, incluindo os dulcíssimos autores das cantigas de amigo e o “cedro desmedido da pequena floresta portuguesa”14 – uma imensa multidão de homens (e até mulheres, algumas), que não hesitavam em trocar a pena pela espada, quando tocava o clarim ou soava o olifante: a História da Guerra do Peloponeso, de Tucídides (c. 460-c. 400 a. C.), que descreve a peleja entre Esparta e Atenas, é cronologicamente quase uma sequela das Histórias de Heródoto – e história escrita por um strategos (no caso, um almirante) envolvido directamente em parte da acção15; Platão (c. 427-347 a. C.), que também participou na Guerra do Peloponeso, foi conselheiro de Príncipes; Aristóteles (384-322 a. C.), diz-se, de Alexandre Magno; a Anabase de Xenofonte (c. 435- 354 a. C.) é quase um diário de campanha da Retirada dos Dez Mil, composta por um civil a quem a roda da Fortuna deu o comando de tropas mercenárias gregas, lutando pelo regresso à pátria16; a História de Políbio (c. 200-118 a. C.) – autor de uma Estratégia hoje perdida – quase se confunde com as das Guerras Púnicas, na última das quais participou (a pedido do próprio Cipião, de quem fora preceptor, o que lhe deu assistir à devastação de Cartago)17; e a lista não tem fim, especialmente se nela se incluir a produção literária e outra em que a guerra é o fenómeno central, quer em veia trágica, como em Ésquilo18, que combateu em Maratona e Salamina, quer em veia satírica, como nas três fases do inimitável Aristófanes, autor também da Paz…
De resto, basta pensar-se na História da Literatura e da Arte, nos monumentos e nomes de ruas que nos rodeiam, na pintura, na escultura, na música, na gravura, ou mesmo na filmografia contemporânea para se avaliar do lugar, fascínio e centralidade de Marte e do conflito armado (para não falar da pura violência), no nosso imaginário colectivo. Nunca faltando à guerra quem lhe louvasse as virtudes, como Nietzsche, esse discípulo do Obscuro19, nem quem nela relevasse o elemento “estético”, como, entre nós, o saudoso (e audacíssimo) Carlos Eduardo de Soveral20. O último capítulo da Guerra e Paz de Tolstoy, por exemplo, é o traçar de uma verdadeira filosofia da guerra; e boa parte dos filmes mais famosos ou emblemáticos, mesmo antes de E Tudo o Vento Levou (Gone with the Wind), têm por pano de fundo ou por motivo eleito, a guerra. – E que dizer de jogos, como o xadrez21 ou o futebol22, ou as lúdicas ciberproduções da actualidade23?
Se nos voltarmos para o campo das ciências experimentais, a que se referia Morgenstern, o panorama não parece muito diferente: torna-se difícil imaginar Arquimedes, Leonardo, Nobel ou Oppenheimer, sem se conjurarem imagens de conflito, que vão das guerras locais às guerras totais e destas ao potencial para a destruição deliberada de toda a vida humana à escala planetária – uma das novidades absolutas, e porventura a de maior ressonância existencial, do século XX24, já que o XXI promete somar à possível extinção da espécie, a encantadora alternativa de futuros pós-humanos, biologicamente engenheirados, maquínicos, ou algures por aí, entre ambos…25
3
Mas há outras interpretações de Heraclito que abrem alternativas e se opõem ao que ficou dito em favor da posição de Morgenstern. Este, com efeito, ao citar avulso em favor da sua tese, ignora não um, mas o aspecto fundamental do pensamento do “filósofo das lágrimas”. Na verdade, o que interessava Heraclito não era essencialmente a guerra mas o conflito, entendido como um processo de luta entre contrários de onde tudo nasceria e que tudo tornava transitório26: no caso, tanto a guerra como a paz. “Deus o Uno de Heraclito é dia e noite, Inverno e Verão, guerra e paz, abundância e fome; (…)”.27 Neste sentido, para Heraclito, a guerra também seria a mãe da paz, tal como no adágio “Se queres a paz, prepara-te para a guerra” – adágio refundido pelo “pacifismo científico” de Gaston Bouthoul e outros, na fórmula: “Se queres a paz, estuda a guerra28, o que, afinal, não deixa de reflectir também uma forma, e nada despicienda, de “preparação”: o estudo e investigação das causas, natureza e requisitos do “fenómeno guerra”, incluindo naturalmente as actividades e instituições militares: para que a paz não saia necessariamente da boca das espingardas, como queria o honorável avozinho Mao, no celebrado Livrinho Vermelho ou nos Escritos Militares29.
O Professor Adriano Moreira abre um dos notáveis ensaios de Ideologias Políticas, observando que “a guerra é uma forma de relação entre os povos que nunca pôde ser abandonada”30, tema a que regressa na Teoria das Relações Internacionais31, quando aí diz que não se “conhece nenhum período da história da Humanidade em que a guerra tenha estado ausente”. O que é sem dúvida verdade, sendo a guerra, como escreve o Professor Stanislav Andreski, “talvez o mais trágico aspecto da vida social” e, acrescenta, omnipresente, sem que isso signifique a desaparição de outros “processos sócio-culturais”, ou da “solidariedade, compaixão, união mística, criatividade artística, etc.”32. Mas Andreski, um dos mais sérios (e severos) sociólogos contemporâneos faz também notar que, em qualquer dado momento, a percentagem da população do planeta envolvida em guerra nunca terá excedido os dois por cento33 – o que, julgo, contribui para sublinhar a fronteira e a especialização da actividade bélica, mas, ao mesmo tempo, o seu extraordinário alcance e capacidade de projecção em todos os planos da vida social, materiais e não-materiais.
Por outro lado, Morgenstern poderia ter-se poupado ao seu próprio e manifesto excesso, lendo, por exemplo, o ensaio do (futuramente) grande Merton sobre as inter-relações da ciência com a “técnica militar”, em que, após demonstração, concluía assim: “a investigação científica avança frequentemente segundo linhas largamente independentes de forças sociais, uma vez tornados evidentes os problemas de partida e, assim, muita da investigação pode estar relacionada apenas em ténue grau com desenvolvimentos militares ou económicos. (…) a ciência desenvolve um corpus de investigação autónomo que tem na origem considerações estritamente científicas, e não utilitárias. São esses desenvolvimentos (que provavelmente constituem a maior parte da ciência) derivados da autonomia relativa do trabalho científico que parecem ter pouca ou nenhuma conexão com forças sociais”34.
Finalmente, sempre pace Morgenstern, convém ter presente que a guerra pode também engendrar efeitos vastamente regressivos, historicamente ilustrados pela repetida destruição de civilizações avançadas e a entrada em longas noites de aparente torpor científico e tecnológico. Sabe-se como Einstein, interrogado sobre o futuro, dizia não saber como seria a III Guerra Mundial, mas que tinha a certeza de que a quarta seria disputada com pedras e mocas (“with stones and clubs”)35 – sugerindo assim o imenso potencial destruidor já existente no seu tempo e que entretanto cresceu e se diversificou desmesuradamente, garantindo que essa terceira “guerra mundial”, se fosse como Einstein a imaginava e se poupasse alguns, de golpe os levaria às cavernas e às delícias da reinvenção do fogo (o elemento primeiro de Heraclito) e da pedra lascada (o centro da sinistra metáfora pacifista).
Foi neste sentido que Rotblat definiu a sobrematança (overkill) como esse “louco estado de coisas (…) em que os arsenais de armas nucleares são mais do que suficientes para destruir todos os seres humanos da Terra” e distinguiu entre as duas corridas aos armamentos que contribuiriam cada vez mais para o risco de conflitos nucleares: a vertical, envolvendo um aperfeiçoamento constante do potencial destrutivo dos armamentos por parte das superpotências e a horizontal, traduzida no facto de um número cada vez maior de países adquirirem a capacidade de produzir armas nucleares ou de as obterem de outro modo.36 E não mencionava aqui quer a dispersão de tais armas por mãos que não pertencem a qualquer Estado, nem as consequências de vectores biológicos ou outros, ciber-letais. Mais optimista, Robert L. O’Connell, escrevendo nas (para ele) insuspeitadas vésperas da queda do Muro de Berlim, considerava que “ao nível da interacção entre as superpotências, há apenas um ligeiro exagero em afirmar que a guerra só pode ocorrer por acidente ou por loucura.”37 Tanto O’Connell como Rotblat, Pentz e John Cox pensavam ainda para um mundo assente sobre o “equilíbrio do terror”. De então para cá e em certa medida, os riscos mudaram de natureza, surgiram novas e, sobretudo, mais aleatórias, ameaças que, como temos experimentado na pele e na imaginação, são por isso mesmo crescentemente inquietantes.38
Perante o papel histórico e motor da guerra e nestas circunstâncias de alarme existencial, é de perguntar como vai o conhecimento dela, a começar pela sua definição – matéria que nos levaria longe e muito para lá dos interesses presentes. O que não pode passar inteiramente em branco, contudo, é o papel dos cientistas sociais neste domínio, dada a natureza do livro do Doutor David Rosado e o que efectivamente se verificou: McNamara já tinha notado que se a I Guerra Mundial foi a guerra dos químicos, e a II Guerra Mundial a guerra dos físicos, poderia bem acontecer que a III viesse a ser a dos cientistas sociais39. Ora, penso, a III Guerra Mundial já aconteceu, sob a curiosa designação de Guerra Fria, sendo efectivamente, em larga medida, uma guerra dos cientistas sociais.

4.
Designação curiosa, porque essa guerra só foi fria para quem não a experimentou na pele, no horror, nos haveres, no trauma das memórias, no lembrete perene das mutilações vivas: uma guerra de guerras, desencadeadas, apoiadas e geridas por influência ou procuração das grandes (e não tão grandes) potências em convergência com interesses mais ou menos volúveis e locais, uma guerra que, ao longo de quase cinquenta anos, directa e indirectamente, produziu mais mortes, maiores destruições e em mais amplas áreas do que as duas “Guerras Mundiais” combinadas. Mas com diferenças decisivas, face ao etnocentrismo dos Autores do Norte40, à má consciência dos seus Aliados do Sul e, por fim, às novas formas que tomou face aos conflitos precedentes: com efeito, desenvolveu-se no Outro Hemisfério, em formas geralmente não convencionais41 - apesar de o “não convencional” de ontem ter sido a “convenção” da Guerra Fria –, e envolvendo populações com um estatuto que parece etnocentricamente insusceptível de ascender ao patamar das Grandes Guerras, por muito que sofram, por muito que as torturem, por muito que morram.
Designação curiosa, também, por ser pacificamente adoptada – num lancinante e extraordinário tributo ao poder das palavras – pelas próprias vítimas, ou melhor, pela generalidade dos que, no plano do discurso e das ideias, dizem representá-las. Fenómeno que acha paralelos no plano regional, como no caso da repetida ideia de que o 25 de Abril foi uma revolução pacífica e sem sangue, o que é certamente verdade para Portugal (salvo as – estatisticamente – insignificantes excepções), mas que ignora o bruto facto de à mesma pacífica revolução e em objectiva consequência dela, se terem seguido mais mortes e misérias em Angola, Guiné e Moçambique, do que em toda a “Guerra de África” (para usar a supostamente asséptica expressão) e, na verdade, em toda a história da colonização portuguesa, incluindo o tráfico de escravos… Os números aí estão para o demonstrar, o que em nada tem afectado o discurso oficial e as percepções correntes sobre a matéria, em ambos os lados das novas e etnocêntricas fronteiras das imaginações, interesses e mitos nacionais. Cá e Lá – note-se.
Ora, um dos traços da Guerra Fria foi ter reforçado o papel operacional dos cientistas sociais e dos instrumentos produzidos pelos seus labores. É certo que, desde a I Guerra Mundial, aqueles já tinham uma importante presença no recrutamento, selecção, treino, avaliação e adequação do pessoal militar, bem como em acções de persuasão, propaganda e contra-propaganda, para não referir uma miríade de outros ensejos vitais para o esforço bélico42. Mas nunca como na Guerra Fria e seus sucedâneos foi tão praticado, de maneira científica e sistemática, o combate pelos espíritos e adesão das populações, nas frentes e retaguardas, e nunca como então (e até ao presente) se desenvolveram tantos e tão sistemáticos projectos e aplicações, envolvendo cientistas sociais no esforço militar. Não se fala aqui apenas da guerra de guerrilha, em que, para lembrar a máxima do bom Mao (sendo “bom Mao” paradoxo não só da homofonia!), o guerrilheiro deve mover-se entre a população como peixe na água – donde decorre que, das NT (Nossas Tropas), se deve esperar objectivo idêntico, ou que deixem o IN (Inimigo) em seco, confinando-o a zonas inabitadas43 ou ao convívio com populações hostis, mercê normalmente de acções concebidas por cientistas sociais, em sede designadamente de teoria da persuasão e técnicas de desenvolvimento comunitário44.
Noutra linha, e para um caso emblemático da colaboração entre cientistas sociais e forças armadas, lembre-se o Projecto Camelot, desenvolvido no seio do Special Operations Research Office do Ministério da Defesa norte-americano, a partir de 1957 e que, como já tive ocasião de escrever noutro sítio, envolvia “grandes riscos, mas também grandes compensações” e visava medir o “potencial de conflito” em países estrangeiros, estudando os meios de prever conflitos internos ou a probabilidade da sua ocorrência, procurando ao mesmo tempo estabelecer regras para uma reacção atempada do Exército45. Seleccionadas oitocentas hipóteses diferentes sobre a guerra interna, por uma ampla e multidisciplinar equipa de cientistas sociais, e verificada a sua validade através de estudos históricos e empíricos, proceder-se-ia à construção de modelos, a partir dos quais se identificariam “indicadores de potencial interno de conflito”. O que, naturalmente, implicava vasta recolha e tratamento das informações captadas em vários países, a serem aplicadas no âmbito do planeamento estratégico46. O facto de o Projecto, que não era secreto e era internacional, ter sido denunciado como um instrumento do imperialismo americano e abortado por força da opinião pública e organizações representativas dos cientistas sociais, norte e sul-americanos, não impede ver a extensão e natureza das contribuições em mente, que abrangiam também, no âmbito do S.O.R.O., a guerra psicológica e a contra-guerrilha47.
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